Solitariedade
Mais solidariedade à minha solidão.
-Isa Z. S.
”Você diz que eu sou sua heroína e você me faz sair mais. Você diz que eu sou seu tudo, mas eu sou o mendigo à sua porta. Só para disfarçar você diz que é verdade e na verdade eu sou apenas metade de você. Você diz que eu sou sua besta divina, mas eu só quero ser sua garota. E eu busquei todas as estrelas cadentes para respirar a melhor parte do céu.
Não fale muito rápido pois suas palavras tornam-se meu abrigo. Não vá negar esse amor que eu encontrei. Não venha me rodear se você está aqui apenas para me agradar. Eu vou despedaçar suavemente porque eu sei que você é…você é… você é divino.
Rezo para que o doce senhor Jesus possa pegar meus braços e me levar para longe através destas margens. E eu sei que você vai esperar por mim porque eu sou um estranho nesta guerra.
Você diz que eu sou sua heroína…”
(Miranda Déah)
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa
(via criptacrisalida)
Source: esmoreci
Meu inferno está em paz.
Querendo fugir de todo sufoco e aperto que o apartamento me causava, Saí pela manhã. Deixei meu cão, Stroke, e a Sta. Punk, minha palmeira, e saí, disse que não demoraria, com o pretexto de buscar um livro em algum sebo qualquer. Mas, é claro que demorei, passei o dia perambulando. Decidi checar aqueles, mais antigos sebos do centro da cidade. Antes que fechassem, decidi então pegar um ônibus direto. Ao me sentar, confortavelmente em um banco onde não batia sol, reparei ao meu lado, onde o Sol batia, sentava um bonita jovem. Não pude olhar diretamente seu rosto por causa da luz, mas pude enxergar no chão a sobra de sua silhueta. Um perfil harmonioso, cabelos cacheados e um charmoso óculos de grau, que parecia cair muito bem em seu nariz comprido e pontudo. Usava um casaco azul marinho com uma grande e alta gola. Ah, sim. Isto o Sol não impediu-me observar.
Era um dia de bonito de outono, e já fazia muito frio em todo Estado. Dias assim, são sempre especiais. O encontro do frio e com o Sol, é como um romance.
A Livraria e sebo Rose, perto da Avenida 23, é a minha preferida na cidade, apesar de fecharem cedo demais. Mas, por sorte, os peguei abertos e lá fui eu escolher um livro qualquer para me distrair do meu eu caótico.
- Senhor Edu, estamos fechando. - Avisou-me, Maria.
- Ah sim, obrigada, já escolhi.
Não havia escolhido livro algum, raramente isto ocorre, sempre me atraio facilmente por diversos livros, mas hoje, não vi graça em nada. Então apressadamente fechei os olhos e retirei da estante um livro aleatório. “Blá blá blá…Oscar Wilde. Bom, acho que não li esse ainda, pois bem, se li, tanto faz, Wilde é sempre Wilde…”
- Senhor Edu! - repetiu Maria, a dona do Rose. Apressada e sempre com sua verruga engraçada no queixo, quando dizia meu nome “Edu” a verruga sumia por entre o queixo e os lábios carnudos. A Maria era uma jovem-senhora gorda, sempre preocupada e enfezada, e aparentemente amarga, mas, quando pega lendo um de seus livros no balcão, ou indicando livros aos alunos do quinto ano que por ali passam todos os dias após a aula, é possuída pela doçura jamais comparada.
- Aqui, Maria, me desculpe, fique com o troco. Au revoir!
Sentei-me por ali, na avenida, em um dos Cafés que inauguraram naquela semana, pedi um expresso, e abri meu livro. Precisava daquilo, daquele momento meu. Escolhi ficar comigo, com o Wilde e um piano ao fundo, que não pude ouvir.
Ao terminar o livro, escurecera, então decidi voltar para meu caos interior e para casa.
Stroke latiu, molhei a Srta. Punk. Não almocei, e antes de fazer um lanche, lembrei de verificar a secretária eletrônica, há muito tempo vazia, sem esperanças.
-“Edu…é a Lívia. Tá sem celular? Bom, digo, tudo bem? Eu não sei se você já voltou de viagem, mas…Tudo bem, se estiver por aí…quer dizer, se está. Bom, Edu, eu vou tocar hoje em um café que inaugurou na Avenida 23, se tu quiser, sei lá…Sinto saud…Eu…Qualquer coisa meu celular é o mesmo. Abraços…”
Podem dizer que é azar, eu costumo ter azar. Mas nem sempre tudo é azar. E se por um dia for sorte?
Sorte de sentar ao lado da linda menina e apreciar sua sombra, feita pela luz vinda da janela. A sorte de um dia frio com Sol. A sorte de abrir a janela hoje.
A sorte de Oscar Wilde ser um ótimo escritor e me fazer desligar de meus medos, vergonhas e erros por algumas horas.
Sorte de poder me encontrar em uma tarde de desencontro.
Enquanto isso, mundo vai cambaleando, e a gente se equilibrando, entre o chão e o céu, no barbante da eterna incerteza.
E a saudade dela não ficou naquele Café, nem caiu pelas calçadas.
(Isa Z. S. - Crônica dos Invisíveis)
There’s nothing to stop a man from writing unless that man stops himself. If a man truly desires to write, then he will. Rejection and ridicule will only strengthen him. And the longer he is held back the stronger he will become, like a mass of rising water against a dam. There is no losing in writing, it will make your toes laugh as you sleep, it will make you stride like a tiger, it will fire the eye and put you face to face with death. You will die a fighter, you will be honored in hell. The luck of the word. Go with it, send it.
― Charles Bukowski
Se fosse fácil de esquecer
Não estaria aqui escrevendo
Se fosse fácil descrever
Não estaria aqui quase em silêncio
Se não fosse amor
Não seria nada disso
E se não fosse amor
Seria melhor que isso
Por onde não sei. Partirei.
Vou pegar um trem. Rumo à lugar nenhum, rumo a fora daqui, embora pra dentro de mim.
Te levo de carona, se quiser, eu mudo a rota. Mas dessa viagem ninguém volta.
(2009), Isa Z. S.
(via isazslivros)
Source: isazs
Quanto mais te procuro
Me destruo
Te perco
quando me escondo
E a cada dia que me encontro,
Me perco do resto do mundo.
Não encontro em mim
Em você sim.
Procurei em ti
O que em mim eu perdi
Na busca insensata
Com pistas erradas
Do caso contrário
Tu me perdeu
E fim.
Isa Z. S., (Há 3 meses)
(via isazslivros)
Source: isazs
Esqueça suas dores, seus desencontros, e tudo que não pode entrar na sua alma. Deixe de lado aquilo não coube, nem irá caber nos seus sonhos. Defina o que ocupa o espaço dentro de você. Se não conseguir ampliar nada aí. Quando decidir fugir. Se precisar sair, ou quiser sumir. Aqui, a casa é sua e sobra espaço. Você sabe como chegar.
(2012), Isa Z. S.
(via isazslivros)
Source: isazs
Que m’importe que tu sois sage?
Sois belle! Et sois triste! Les pleurs
Ajoutent un charme au visage,
Comme le fleuve au paysage;
L’orage rajeunit les fleurs.

No, it’s not the moon. This is the sun setting through a terrible spring dust storm a couple of weeks ago.
The Scream (After Edvard Munch)
Isabela Zamora Santos.